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A Assunção de Maria: Para Onde Vamos?
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A Assunção de Maria: Para Onde Vamos?
Todos somos destinados à santidade e à contemplação de Deus. No dia 1º de novembro de 1950, a Igreja, através do Papa Pio XII, proclamou essa convicção que já vinha sendo confessada pelo povo de Deus desde os inícios do cristianismo – é o dogma da assunção de Maria ao céu em corpo e alma. Na Igreja Oriental já era celebrada a chamada Festa da Dormição de Maria, ela que, isenta do pecado, entregou-se definitivamente ao Pai até o final de sua vida terrestre.
É uma feliz oportunidade nestes tempos de tantas confusões com relação à antropologia para ressaltar a integridade e a dignidade do ser humano. Pensemos nas atrocidades que são noticiadas a cada dia contra as pessoas e percebemos que perdemos o respeito pelo ser humano! A Assunção de Maria é uma oportunidade para meditarmos sobre o verdadeiro significado e valor da vida humana. Somente com a fé é que temos esperança de um mundo melhor, um “novo céu, e uma nova terra”.
A identidade de um filho é afetada pela ausência dos pais e pela falta de uma boa educação e orientação na vida. O imigrante que se deixa assimilar pela cultura da sociedade que o acolhe perde a sua identidade. Nega a sua procedência e por ende, seus costumes e cultura e nunca alcança ser um nativo por mais que se esforce e obtenha o documento de cidadania. É muito importante ter uma identidade definida e assumida. Na vida espiritual sucede a mesma coisa. Quem somos? De onde viemos e para onde vamos? Qual é a nossa identidade?
Quantas pessoas há no mundo que não sabem de onde vieram, para que estão neste mundo e para onde vão? E por isso, diante dos problemas da vida muitas vezes se desesperam. Que sentido faz o sofrimento? Que sentido faz a solidão? Que sentido faz a morte? Sem identidade cristã a vida se torna um sensentido.
A fé cristã nos ajuda a definir a nossa identidade. Viemos de Deus, estamos aqui para amar a Deus e o próximo e voltaremos para Deus. Maria é o sinal para todos nós daquilo que somos. Por isso, esta solenidade nos coloca a reflexão sobre o nosso fim último. Na sua Glória, ela é um de nós: elevada ao céu com corpo e alma.
Nesse pensamento sobre a vida futura que teremos em Deus, toda a vaidade, todo o egoísmo fica para trás e torna-se efêmero, inútil. A festa da Assunção desprende-nos do transitório, do descartável, e reporta-nos para a segurança definitiva que somente teremos em Deus.
Não é uma alienação da realidade, ao contrário: conhecendo para onde vamos, somos chamados a viver ainda melhor o nosso dia a dia. Tudo o mais, inclusive a nossa existência, deverá, então, estar em função desse fim último: Deus.
Assim, nesta festa mariana somos chamados a viver na confiança para além da morte, para além do sofrimento, para além da tristeza e a participar na felicidade do céu, quando Deus realizará tudo em todos.
Que a celebração da Festividade de Nossa Senhora Assunta ao Céu sirva para despertar-nos da nossa indiferença espiritual e retomar o caminho para Deus. Nossa Senhora é Mãe e traz até nós o amor materno de Deus. Ela nos leva a Jesus e nos ensina que Deus é a nossa meta e que Deus pode fazer grandes maravilhas em nós: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque o Senhor fez em mim maravilhas”.
Maria arrasta a humanidade para a adoração do seu Filho e por isso a devoção a Maria nos leva à Eucaristia, plenitude de comunhão com seu Filho. Nossa Senhora não é um ídolo, ela é Mãe. E nós a amamos, a veneramos e a imitamos.
Maria não é Deus e nem ocupa o lugar de Deus. Ela nos mostra a identidade cristã e nos leva a Deus, nossa metal final. Amém.
Fr. Scaravelli,c.s.













