Quem era a família Scalabrini? O Papai Luís era um homem bom, um cristão dos velhos tempos. Em certa ocasião, o filho João Batista o lembrará como um " um antigo patriarca, cheio de fé e de esperança em Deus ". Viverá o tempo suficiente para ver o filho nomeado bispo de Piacenza.
Também a mãe, Colomba, se caraterizava por uma profunda fé cristã. Durante toda a vida, o filho alimentou uma grande afeição por ela. Não hesitava em afirmar que fora justamente a mãe quem lhe infundira o amor pela Eucaristia, por Jesus Crucificado, pela Virgem Maria e pelos Santos, que marcou toda a sua existência.
João Batista tinha dois irmãos maiores, Antônio e José. Ambos passaram por muitas dificuldades. O primeiro assumiu a casa comercial do pai, mas terminou abrindo falência. O segundo precisou percorrer os caminhos da emigração, acabando vítima de um naufrágio nas costas do Peru. Assim, desde cedo João Batista conheceu de perto o drama da migração.
Melhor sorte coube aos dois irmãos e às três irmãs menores. Pedro partiu para a Argentina, onde se saiu muito bem. Dedicou-se ao ensino e à pesquisa científica. Publicou vários livros sobre política, filosofia e ciência, dando o seu nome a diversos fósseis por ele descobertos. Foi fundador e diretor de alguns Museus de História Natural em Corrientes, Paraná e Buenos Aires. Nesta capital, obteve a cátedra de ciências naturais na universidade. Chegou até a ocupar o cargo de Governador da Província de Entre-Rios.
Ângelo formou-se em letras e em filosofia. Começou lecionando em Como. Em seguida, foi contratado pelo Ministério da Educação, como Inspetor Geral das Escolas Italianas no Exterior. Desta forma, pôde oferecer ao irmão-bispo a preciosa contribuição de sua experiência no campo da migração.
As três irmãs se mantiveram sempre muito ligadas, pela amizade e pela ajuda concreta, a João Batista, tanto quando pároco em Como, como quando bispo de Piacenza. Maria Madalena, dentre seus oito filhos, teve dois padres: Atílio, que trabalhou no Vaticano e, em seguida, se tornou monge Camaldulense; e Afonso, que prestou seu serviço pastoral na diocese de Como.
Também Josefina Jacinta teve um bom relacionamento com o irmão. Contudo, a " predileta " acabou ficando a irmã mais jovem, Luísa. Ela assumiu a direção da creche fundada pelo irmão, quando era pároco da igreja de São Bartolomeu, em Como. Mais tarde, seguiu seu exemplo no serviço social e caritativo, fundando o " Orfanato da Imaculada ", nos arredores de Como, instituição que dedicou à memória da filha Maria, falecida aos 12 anos, e dos dois maridos, também falecidos. Em 1937, foi a única dos irmãos que pôde testemunhar a favor de João Batista no processo diocesano de beatificação, iniciado no ano anterior. |